andar costuma despertar lembranças. nelas, as quais apreciamos saudosamente quando boas e com receio quando não tão boas, há a certeza do acontecido. é quase bobagem dizer isso, mas além da morte o certo também pode ser o passado, esquecido ou não.
saudar o passado é reverenciar a uma história. não há cadência ou sobressalto, ele simplesmente o foi. Este ido, repito, é certo e merece justamente a retidão da certeza. quando saudoso, pode ser desejo de mais. quando receoso, medo de mais. e se simplesmente houver, pode não ter feito diferença.
e qual não é a surpresa quando percebemos que todo passado importa? o futuro depende do passado, d’outros idos, e não há tempo desligado, assim como não há pessoas separadas. é uma roda à qual pertencemos: ao parecer estática é porque estamos nos mexendo demais. quando tão rápida, a vida passa pelos nossos narizes, ainda que afoitos.
todas as rotas pelas quais passamos levam em conta o tempo. voltamos – o que necessariamente quer dizer essa palavra? – e continuamos, parece, estáticos. não é porque tudo mudou ou, ainda, porque nós o fizemos: não há tal percepção porque tudo muda aos poucos e continua igual.
o retorno é isso: dizer e não dizer, mas conseguir falar, porque há uma história.