ai, dói. não, como já falei, não dói. e eu já lembrei. sentimos um ardor, ele passando por nossas emoções. acompanhado de uma anestesia – nada mais sentimos, sem até percebermos que estamos torcendo a cara.
esse aperto não tem jeito de segurar, vem de dentro. mesmo assim, pomos as mãos. apertamos a roupa como se precisássemos resgatar algo perdido no peito. vem antes de chorar, pressagia. sabe que precisamos de colo.
e não. dizemos que não, não, não precisamos de colo. somos fortes, não vamos cair! nem sempre. o quintal fica melhor cuidado quando varremos. e cadê a vassoura? pode ser um colo. um colo, por favor, garçom.
engolimos e torcemos e apertamos e fechamos olhos e respiramos fundo e não pensamos e arde. até suspiramos ou esquecemos de. e onde é que foi parar o chão?
quanto não. até rima com o chão, o assoalho onde lamentamos a risada não dada e as cores não vistas. o sim só vem depois, bem depois, quem sabe – quiçá – quando a vontade vier. mas na hora do aperto ela é de fechar os olhos.
bem falaram, fechamos e podemos ver cores que não vemos ao viver. e este blues não toca por acaso, quase um adágio, mostra sua beleza na dor, é, ela também pode ser bonita. já viu os de quem acaba de chorar? como ficam lindos.
e aperto e saudade e apreensão e mistério e pensamento, fica tudo junto. somos todos bebês, deveríamos rir. acompanha também a lembrança o aperto. e amor e amados. memória de bons momentos, chocolates que nunca derretem sem deleitar nosso paladar.
mesmo chorando, quero olhar para seu rosto. sei que vai me entender. você também sentiu aperto no peito, todo mundo já. posso fechar os olhos? sabe do que estou falando. vamos escutar aquela música, arrumei o quarto. tirei fotos ontem sem você, me perdoa?
e eu ainda sinto o peito que não vai deixar de se entregar sem um carinho de quem gosta e lembra sem titubear nem marejar os olhos para só fingir não sentir nada e estar tudo bem porque não quero que você me veja assim.
assim falo. isso, um aperto, algo que sobe e desce pelo peito. faz com que nos entreguemos, sim, amor, faço tudo por você. não, amor, não posso fazer isso por você. por você. <3
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