Posts de Janeiro, 2009

we’re leaving

Janeiro 30, 2009

let’s throw our belongings away
and give place to a new time
the sun cannot shine more
in this place we are in.

pack the most important,
that is, our hearts -
and we will be leaving
in an hour at most.

we’ll perceive
this time things are different
and there will be light asunder

you know, ’tis possible
to make the most important thing
called happiness. do you?

as mãos

Janeiro 30, 2009

era tarde, ainda assim queria um pouquinho mais saber que você está bem. por isso liguei, faz falta te dizer um oi, mas eu não sabia o que dizer senão oi. espero que me perdoe, vamos nos cuidar, vamos nos cuidar. é por ti, sabes? corro, é bom ser criança contigo. vamos andar.

era hoje que punha as mãos em você e achávamos a melhor coisa do mundo. e foi. de meu sorriso desmedido veio uma lágrima, faltou pouco para te dizer que sentia te perder. e era algo natural, não poderia reclamar. com tudo aquilo, eu não poderia ser a única coisa que você deveria se preocupar, agradeço ficar ao seu ladinho.

depois de nos virmos assim, nus, da forma mais íntima que alguém pode perceber, o abraço já contava ser outra coisa. era uma forma de eu conhecer mais um pouquinho de você, entrar em seu mundinho e perceber que o sorriso que eu fazia era uma coisa bonita que você adorava muito.

e eu amo você, com essas mãos aprendi que, apesar de tudo, você permeia a alegria e me faz feliz, mesmo que eu tenha de sorrir por ti. não que eu seja mãe ou pai, mas você só não sabia dizer para o mundo que queria rir e aquilo só foi acabando um pouquinho comigo. agora me faz sorrir um pouco?

a poesia descarada

Janeiro 11, 2009

dança, hoje tem baile toda a noite.
ela fala prontamente, há música!
sem ritmo não mostra sua cara,
só é desgosto quando se faz viva.

sim, não precisamos de tambores.
a pele virgem já serve para o propósito!
descarando-se, é o brilho dela a servir de batucada
e o seu andor o ritmo desvairado.

perplexa, ela não sabe dizer ainda se sim ou se não.
todos perguntam, ninguém realmente se importa;
brandir a palavra desvenda pouco mais que o fogo emanado,
é preciso ecoar por dentro para revelar o gosto.

devagar – só vagar pode ser preciso, vamos viajar.
o descaramento acontece aí, a forma importa mais sentida
que simplesmente aparecida.

rápido, não podemos perder tempo. entendamos,
o descaramento nos exige que apareçamos
mesmo que queiramos sentir o que é.

e agora, cara luz, di-me, por favor.
desvenda o que é isso, tudo são duas coisas
e uma e uma ao mesmo tempo.

descara-te; juro que prometo, encaro-te.

na vida e na morte

Janeiro 10, 2009

vida é um conjunto de farelos. eles juntam-se para formar uma imagem sólida de algo que pode, abruptamente, terminar. não que seja frágil, até é, mas é mais também. inidônea, nos trava batalhas conosco: o que seria viver ou, ainda, viver bem? ninguém tem a fórmula mágica. nesse rincão, contudo, não devemos ter receio de morrer: é ela, a morte, a certa e benéfica – sim, nos ensina e nos guarda do que julgamos ruim porque é ela um parâmetro.

morte é a falta de farelos. na obscuridade, assim mesmo, podemos observar luzes estrondosas: o renascimento só acontece quando se escurece a vida, daí aprendemos, apreendemos. sem capacidade de ser falsete, a música ganha tom lúdico, mesmo que fúnebre, os tambores rufarão para anunciar outro nascimento. sem ter algo que ceda lugar, o mundo pára. e isso é a morte morrida: o rio cessa, as árvores fenecem, sementes não podem brotar. a morte matada tem fundamento porque travou-se batalha, criou-se e refestelou-se até entregar o espaço à nova semente.

somos, na vida, morte. ao batalhar, conquistamos e cedemos espaços para crescer e desejar felizes natais, felizes anos novos. conheces sua própria imagem? ela pode esfaquear você. ou, sim, enaltecer a vitrine. mas só depois de ter esfaqueado ao menos um pouquinhozinho: não existe comida grátis, devemos aprender a pescar, também a nós próprios.

temos de escolher alguma coisa para nossa vida: deixar ela ser tomada pelo ar não tem muita graça; o ar é refrescante mas não nos ensina que podemos também mudar um pouco de direção, ele faz por nós. daí a chance de vivermos ou morrermos ou ambos: afinal, a vida é a morte e a morte é a vida. mutuamente. completos e incompletos, revezam-se para nos confundirmos um pouco mais, ainda bem.

e viver significa cultivar o que temos, enaltecer o que nos deram, regar com a água o jardim nem sempre verde, preservarmos-nos para que amanhã exista, cortar a grama do quintal, sujar um pouquinho a casa.

morrer já é acostumarmo-nos sem o que temos, agradecer o que tivemos, adubar o jardim para que um dia na esperança ele verdeie, ter o hoje e quiçá preparar um amanhãzinho, comer a grama, limpar a casa e derreter-se no sol.

sempre escolhi morrer. e, depois, viver.