hoje, noite crua,
digo à rua, contigo estou;
sem dano, também rezo-te o bem
o de querer só o carinho e a compreensão.
digo também que és da forma bela,
a que todo cenário deveria apreciar:
até o das desgraças e o da tristeza
porque depois há avenida mais límpida.
peço perdão, contudo.
não pude ser-lhe o que no cerne desejei
nem o que foi sonhado ao clamar
rezo-te o bem.
disse-lhe insinceridades
quando invoquei toda sorte de plateias;
perdoa-me, por favor, só quis bendizer
sou tua honra e tua discórdia.
clamo por honra porque,
de gratidão,
mesmo na discórdia
hei de te respeitar.
e pela discórdia
por sermos um ser e outro
sempre com a honra
do, mesmo árduo, bendizer.
pode, toca as cortas
como o chão, tão formoso,
ou o sol, lá brilhoso,
mas di-me mais.