diferente.
despercebia como o dia estava,
qual a hora ou até se a vida continuava;
mãos tremiam e brandiam calor.
o mesmo no peito, que numa vez falhou
como se desabrochasse um alívio ao deixar correr.
disparou o coração, bondosamente,
soube eu quem realmente era.
uma confissão misteriosa aconteceu
ao dormir e acordar sem qualquer pesar.
era, irrompente, a primeira primavera.
calaria por um momento tudo
perceber o andar sem imediata explosão
faria a calma permanecer sem adoecer.
completaria cada dia com acordes livres
em música sem compasso, sem forma.
ouviu-se o coração, de súbito,
ao transcender sem exatidão
numa carreata de sonhos que colidiu
antes de ter, na vida, a redenção.
era, diletante, a segunda primavera.
andaria a apalpar a atroz cálida noite.
insone, o outono aprochegaria-se de mim
de sopetão, cairiam minhas folhas
e derramaria toda seiva ao vê-lo chegar
com perversa mania a me desfazer.
não teria coração, verdade,
faltava-me olhos para melhor ver,
bondade para perdoar o nada
quando precisava de um espelho.
era, caudaloso, o primeiro outono.
a volta, digo, a redenção,
viria após provação vital.
perdoaria aos poucos a eclosão
que de mim tirou parte e a restaurou
como se me preparasse outra surpresa.
pulsaria cauteloso o coração, agora cálido,
retomando o adágio, agora andante,
e tornaria-me eu toda vez nova peça
de uma música que não sabia tocar.
era, reverberante, o fim de um ciclo.