Publicado por: arielalmeida | 2 de março de 2010

lembranças

dizia, sem palavras, o pouco que restara
para remeter a cabeça aos ruins e bons momentos.
sem a prontidão d’alguém desejando uma nova vida
lembrara, sem ressalvas, o ontem como se fosse amanhã.

sim, ontem é amanhã; crê hoje pela manhã
como se à noite não faltasse abrigo.
desdizer não, só relembrar. a copa andava
como se faltasse arrimo para uma nova cena.

seria um espetáculo grandioso saber que a rima vive
incrustada no que chamam exatidão;
clame-se agora, posso ainda esquecer-me de ti.
ouça para que depois possamos falar.

sou o que dizem sonho. posso aparecer à noite
e também no dia de quem melhor acredita
nem sempre lembrarás que apareci ou até te fiz chorar
ainda assim, por favor, chame a mim.


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