sou laço que se fez sem saber.
ninguém me amarrou ou prendeu,
só quero saber as nuances d’outra corda
mesmo temendo não existir outra.
visito uma casa e percebo
o cheiro peculiar das gerações que ali habitaram.
e visto um cheiro para perceberem
olhem, sou do mesmo material que tudo.
há calor nas falanges dos ciprestes,
só o vejo com o vento a passar
isso me diz muito, só ouvi agora.
cantei e percebi minha voz outra.
temos voz e brio
por que tememos cantar
se a aurora nos convida
para dela apaixonarmos-nos
?