tem cor, branca como as nuvens me olham.
e cheiro, puro como o do arvoredo.
lírica, cantaria conosco seu borbulhar.
colérica, terminaria-me como lenço rasgado.
daria-me voz se quisesse no agora gritar.
hoje só quero mágoa sem dor, sem sentir,
não sei o que me faz, a árvore ou o vento.
ainda que tropece no próximo fio, voarei,
seria a mim uma vida reservada
ou luzes monótonas a cobrir todos os véus?
tenho folhas, muitas, e tronco servil,
a correr pela vida, também ar, ímpio e fiel
beberei sem saber a próxima parada
ouvirei o canto que quiser me conter
a seda não me seduz, por ela passo incólume
ainda assim, rasga-me como faz na pedra.