é frio, o vento pela copa dos ciprestes desalmou-se.
calou-se ao perceber o cimo desabar,
sem a quem dar mãos ou abraçar no gelado sereno.
ainda digo, de rugosa certeza, tens meus braços, mesmo
na insalubre manhã de outono com a brisa cessada,
quando não enxergares mais estrelas adiante.
di-me, sois verdade, pura e real, do que representas?
digo-lhe que sim, sem titubeação, e ventarei
todas nossas melodias ainda que impresentes
ou perturbadas por atos imprudentes.
mesmo que semeadas as estradas,
com ou sem nossos sinais pelo andor,
pintarão as flores com a mesma cor
andarilhos saberão o que por ali passou
e repetirão a história nunca terminada,
ainda que não regresse encontrando música.
sinto saudades, desejo regressar a uma casa
com melodias transgredindo a porta
e fragrâncias orientais invadindo meu ser,
a madeira sólida e o aquecedor a óleo,
irresolutos por terem ido, calejam minha rotina.
traz-me de volta a estante onde punha nossos pertences.
leva-te a ti, pois a mim só restou outra,
não desvia para descobrir o que de mim é,
sua realidade bonita continua, perdura.
por favor, perdoa-me.