a jornada
caminhar já é traçar um passado. o arvoredo por onde passo observa meus movimentos e sabe não existir cura para o ido. apesar de podermos olhar para frente e para trás, pode ser difícil enxergar o agora, dentro. ou que o rápido ou devagar não importe para o caminho, porque ele é só a rua em que andamos.
talvez seja importante só dizer para irmos a um lado. este será escolhido, mesmo que signifique continuar na beirada, entre duas avenidas também atraentes. sim, acabaremos a tudo nos adaptando, mas não dói demais sempre? ou não?
imagino uma avenida com ciprestes onde o vento, frio, lembra-me da minha fragilidade, e o caminho, reto, diz-me que preciso continuar. para descobrir o sentido dela, prefiro não existir. privando o mundo de minha visão, saberei o que vai fazer diferença.
tomar um café pode ter muitos significados. eu gosto, sabe? e só gosto. e ao mesmo tempo é tudo. mas tenho tomado demais. e demais, assim, também dói. não a barriga, dói porque não dói mais. não sentir depois o que significa um café porque tomei demais é demais.
as avenidas ensinam. aprendi com elas que são bem diferentes da vida real. elas podem se entrelaçar, dançar entre elas, como se fossem partituras de um músico maluco. assim não é dor à toa. atordoa-me para eu enxergar melhor.
a jornada é um jornal. vamos ler?