Publicado por: arielalmeida | 11 de junho de 2012

um orvalho na janela

oi. sou o orvalho que insiste molhando sua janela. estou lá, lívido, e continuo. verdade, você tenta me secar, mas volto porque estou dentro de você. não estou aqui para te cegar. quero te proteger, eu caio pelos campos e sempre sofro com o sol.

não, suas mãos não podem me levar para um copo. alguém vai me tomar. não, seu cabelo não vai cheirar a mim. seu creme é mais cheiroso. só me deixe ir e morrer, porque faço isso todo dia. eu quem me ceguei, porque não consigo ver pelo meu próprio vapor.

eu seco. assim, estou livre de tudo, pois no ar posso voar e visitar o mundo. minha música pode ser ácida, porque pego toda a poluição que as pessoas deixam, mas ainda assim morro acompanhado, ainda que sozinho.

eu molho. assim, entro em contato com tudo, pois visito a todos quando voo. e então minha música lhes é doce, porque me encontro desajeitado, mas ainda assim morro sozinho, ainda que acompanhado.

seco e molho. não somos só uma coisa. só um orvalho e alguém me assistindo na janela.

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